Calma, calma... Tenho pais, irmãos, marido e filho.
Tenho alguns amigos com os quais, parece, posso contar.
Mas aconteceu uma coisa, até foi no dia em que a bateria do carro pifou, me mudou. Aliás, foi mesmo pelo facto de a bateria ter dado o berro que despoletou isto tudo e me fez, mais uma vez, pela força da dor, mudar.
Ouve ali qualquer coisa que morreu em mim, sério. Admito.
Ora então, ia eu levar o Tomás à creche, tento ligar o carro e nada. Não liga. Percebi logo que devia ser bateria. Chamou-se um Uber, logo um stress de morte de manhã mas lá fui deixar o pequeno e só me atrasei 10min para o trabalho.
Disseram-me que podia ligar para a Assistência em Viagem para me virem ligar o carro com os cabos e assim o fiz. Mas, para ligar 1h antes da marcação da oficina. Marquei a oficina, 13h, liguei ao 12h para a Assistência.
Ora que, nem 10min depois, tenho o homem da Assistência ao pé do carro!
Saí de casa, fui lá e era mesmo a bateria, morta. Nem me aconselhou a desligar o carro.
1º stress, tinha vindo sem carteira. Pedi ao Sr. para ficar ali ao pé do carro ligado, para eu poder vir a correr a casa buscar a minha carteira. Lá ele esperou, que muito agradeci e comecei a minha saga de telefonemas.
Liguei para o meu irmão, ia trabalhar. Ok.
Liguei então para a minha mãe, para saber se podiam ir lá eles (pai e mãe, ela não conduz) uma vez que eu estava a trabalhar e não tinha como lá ir e não podia mesmo desligar o carro.
A minha mãe, a insistir para eu ligar para o meu irmão, pois como ele nem sempre tem o tempo todo ocupado, podia ser que conseguisse lá ir. Posso dizer que me respondeu aos berros, que estava a trabalhar, que não podia, e que se estava cheia de pressa, que usasse o Uber.
Desliguei-lhe, aos berros também, o telefone. E claro, é fácil falar para quem não tem despesas, para usar um Uber todos os dias!
Ir pôr o Tomás à creche ficou logo em 5€. Buscar, se fosse necessário, pelo menos mais 5€. E tinha a reunião do negócio nesse dia!
Voltei a ligar para a minha mãe e ela bem insistiu para irem lá, para me ajudar, mas o meu pai, claro, lá "atrás" a falar, refilar, até que o ouvi dizer "como deves imaginar, não tenho muita vontade".
Só disse à minha mãe "Esquece, eu vou sozinha" e desliguei o telemóvel.
Agarrei, fui tratar do carro e vá lá que trataram dele um bocadinho antes da hora marcada.
Mas o caminho até lá?
Fui a chorar. Mas a chorar mesmo.
É muito triste, olhar à nossa volta e ver que estamos sozinhos, quando estamos mesmo assim, rodeados de pessoas!
E eu, que se fosse preciso, mesmo para o meu pai, saía do trabalho, pedia para compensar depois, para o levar ao médico.
Mas aqui fica a lição. Os outros, claramente, OBVIAMENTE, não são, de todo, iguais a mim. Nem de perto! Nem de longe!
Fiquei mesmo aqui com um buraco.
Ok, nós não nos falamos! Mas era um favor para uma coisa que eu, à partida, não arranjei logo solução. Mas não. Mesmo assim, decidiu armar-se em otário como sempre.
A minha mãe, bem... ela bem insistiu, é verdade. Mas custa-me também ver o dependente que está, as permissões que tem de pedir, etc, etc...
Depois claro, ligou-me toda preocupada. Não lhe respondi a nada. Até fiz questão de lhe dizer "esquece, porque depois vais contar tudo a esse aí". E sim, esse aí. Esse aí, que cada vez mete mais nojo.
Ah e fiz questão de lhe dizer, que provavelmente está a passar pelas merdas todas que está a passar, pelo mal todo que já fez às pessoas.
Pode não ter tido uma infância fácil, mas podia ter escolhido evoluir, assim como eu o decidi fazer. Mas não.
E aqui fica registado, comigo, para ele, não conta mais.





