Como sabem, nunca senti nada cá dentro que me fizesse querer ser mãe.
Decidi dar esse passo, em parte, por causa da idade, mas também por ver que a família não dura para sempre, a família raiz e comecei a ver a vida a ser um bocado triste sem "algo mais".
O "milagre" aconteceu, como sabem também, contra todas as probabilidades. Eu que tomava a pílula aos anos, a idade, o problema na tiroide que diziam ser quase certo nunca engravidar.
Fiquei imensamente feliz com o meu filho. Mais uma vez, foi o melhor que me aconteceu. Mudei imenso em todos os aspectos.
Até na parte, em relação à Interrupção da gravidez. Sempre fui a favor, em todos os casos (excepto fazerem disso um método contracetivo, óbvio). Ainda mais agora o sou, pois sei o quanto custa ter um filho. O quanto de nós temos que dar e abdicar e só faz sentido se de facto o fizeram altruisticamente.
Também já aqui referi que não sinto saudades de quem fui. Ou do que tive, porque, sinceramente, antes de o ter, sinto que realmente não tinha nada. Tinha tudo, sem ter nada. E agora sim, sinto-me completa.
No entanto, como referi, a minha opinião em relação à Interrupção da gravidez manteve-se, excepto mais ou menos, para mim própria.
Isto agora sim, vai fazer sentido, com o título do texto 😅
O meu marido, em modo brincadeira, quando me viu muito mal disposta num destes dias (mas horrivelmente mal disposta mesmo), disse "olha, vem aí a menina".
E sabem o que senti? Nada. Normalmente, quando essa ideia me vinha à mente, antes de ter o meu filho, vinha o medo, o pânico, tudo. Soltava sempre um "Deus me livre!"
Agora, nada.
Como é óbvio, não pretendo que aconteça. Estou a fazer por isso. Não sinto que tenha condições, principalmente monetárias. E o Tomás ainda é muito pequenino, quero continuar a dedicar-me a 100% a ele.
Mas, se acontecesse?
Já olhava para este acontecimento com outros olhos e acho que já não conseguiria interromper nada. Porque tenho um filho, porque quase de certeza que olharia para ele e via o bem que me fez/faz e o tanto que me mudou e o amor todo que trouxe às nossas vidas.
Mais uma vez, aqui vejo o quanto cresci. O quanto mudei. O facto de esta gravidez ter sido uma grandeeeee saída da minha zona de conforto que, saí tanto mas tanto, até o medo do parto já não entra muito na equação.
E não ter sentido medo, mas ter encarado como "olha, se acontecesse, criava-se", meu Deus, senti orgulho em mim. Era mais amor para mim e não sei se queria a menina que sempre pedi, se não queria outro menino doce, um bebé velcro como o Tomás 😛
Mais uma vez, obrigada Deus, pelo crescimento e obrigada por este bebé maravilhosos que mudou a minha vida para milhões de vezes melhor.

12 comentários:
Uno siempre cambia y más con un hijo. Te mando un beso.
Que bonito :)
Gostei muito de ler, e de ver que incluis Deus, e uma ideia já de "ok, criava-se".
Um filho muda mesmo tudo não é? E ainda bem, que te tornaste nessa mãe tão boa, tão centrada e tão atenta que és.
Gosto ainda mais de ti neste papel. :)
Eu sempre falei que queria 3, mas no outro dia parei numa publicação que dizia:
- Não desejas ter mais filhos?
- Não, eu nasci para ser mãe dele, só dele.
E aquilo tocou-me, sinto isso com o meu desde a primeira noite, eu nasci para o ter.
Beijinho Cláudia, e tenho muito orgulho na tua maternidade
Andei nessa "e se..." desde a pandemia (pelo menos) e só me decidi em 2024, com a chegada aos 40. Preferi avançar que arrepender-me de não ter tentado a menina (sempre disse que queria 2 rapazes e depois a menina).
Agora sei que não quero mais filhos (três é mais que bom) mas se acontecesse.... que remédio, tinhamos de trocar de carro novamente .🫣
Dão uma trabalheira, mas é bom. Os rapazes têm pouco mais de 3 anos de diferença e são mto unidos (para o bem e para o mal) e a bebé ri-se imenso com eles.
Vai pensando na ideia, mas ainda tens tempo.
Bjs,
SM
Que a vida te permita acompanhar o crescimento deles, sempre com saúde, amor e alegria.
Isabel Sá
Brilhos da Moda
Olá @Teia
Muito obrigada pelas tuas palavras :)
Muda mesmo. A mim, principalmente, mudou. Acho que as pessoas têm todas que me conhecer de novo :)
Percebo o que dizes e já pensei nisso mesmo. Nunca pensei em ter um filho, quanto mais ponderar ter o 2º... Mas realmente ele nasceu mesmo para eu ser mãe dele, não podia ser de outra maneira :)
Beijocas e obrigada
Olá @SM
Como disse à Teia, nem nunca pensei ter um, quanto mais ponderar o 2º :)
Eu tenho algum receio da idade, mas claramente, a ter o 2º, o meu filho precisa de ser um pouquinho mais velho. Ainda é muito pequenino. Mas é mesmo uma coisa a ponderar.
Beijocas para vocês e obrigada
Desde que sejas saudável e a tua gravidez tenha sido saudável, não há grande risco adiar um pouco (claro que nada é garantido).
Tive a filhota com 42 anos e, segundo quem me seguia nas consultas, uma gravidez mais saudável que muitas mulheres mais novas.
Bjs,
SM
Os filhos mudam de facto a nossa vida, mas não podem sê-la. Mas são. Tanta vez.
Felicidades siempre. Un abrazo
Olá @SM
Pois, eu também supostamente sou saudável. Não que seja certo, mas naquelas medições de peso e afins, a minha idade metabólica anda ali nos 35 anos. Como tenho 38.... Acho que é bom sinal.
Com 42 não é mau. O Tomás já terá 4 anos. Ainda é pequenino, mas já é diferente. É mesmo uma coisa a ponderar... até porque financeiramente, está apertado.
Beijocas e obrigada
Eu não comento muito mas quando descobri o teu blog foi dos poucos que li de uma ponta à outra, portanto sinto que acompanhei as tuas fases todas. Dos nãos redondos quando se falava deste tema, às discussões com o teu marido quando ele começou a falar neste assunto mesmo sabendo desde sempre que para ti era um "não assunto". É giro ver o crescimento. E é muito bom ter maturidade para mudar de ideias. Eu sempre fui de ideias muito fixas e há uns meses cheguei ao meu psicólogo e disse que achava que ia desistir de um sonho que tive desde sempre - adoptar. Sempre disse que queria 3 filhos meus e adoptar um quarto. Fazia parte da minha identidade. Debati essa ideia com o meu marido logo no início da relação porque era algo que eu não iria mesmo abdicar na minha vida. E agora, depois de estar inscrita na segurança social, de ter ido fazer a primeira formação, etc, dei por mim a pensar que se calhar na fase em que estou na minha vida já não faz assim tanto sentido, por variadíssimas razões. E sabes o que ele me disse? Que isso era ouro para ele. Que dizia muito sobre o meu crescimento. Que muitas vezes ficamos agarrados às nossas crenças do passado e isso limita a nossa vida actualmente. No teu caso foi isso que aconteceu, libertaste-te da crença de que não querias filhos e hoje dizes que é o melhor da tua vida. Eu sou das que acredita que a melhor herança que podemos deixar aos nossos filhos são irmãos, por isso acho que toda a gente devia pelo menos ter dois filhos. Mas é só a minha opinião, obviamente. Pensa nisso, muita gente tem medo de saber como vai conseguir amar um segundo filho tendo em conta o que se sente pelo primeiro, mas é mesmo verdade aquela história de que o amor se multiplica. E há poucas coisas melhores nesta vida do que ouvi-los rir à gargalhada ou entrar na sala e vê-los abraçadinhos a ver TV (isto quando não andam à chapada um ao outro!). Ah ah ah
Olá @Inês :)
Obrigada pelas tuas palavras. E acredites ou não, fiquei com lágrimas nos olhos... :)
Realmente eu noto imenso mesmo, esse meu crescimento. E as mudanças quase que radicais, aprender a lidar com elas, assim como muitas vezes falei, daquilo que me faltou na infância e estar a dar ao meu filho, não foi fácil... Mas está a ir e já me parece mais natural.
O meu marido por acaso também falou em adoptar, na altura que eu dizia que não queria filhos e sempre estive de pé atrás. Acho que ainda é um assunto que me faz confusão. Mas claro, admiro quem o faz e acho que fazem bem, porque realmente há tanta criança, infelizmente, abandonada...
Mas percebo isso que o teu psicólogo disse e realmente é de louvar mesmo ver a nossa evolução, seja em que aspecto for.
Realmente também já pensei como ficaria o meu filho, sem a atenção total para ele.... mas acredito que o amor se multiplique, principalmente nós, mais novos, que temos outra atenção e cuidado com a parte emocional. Temos outros conhecimentos.
Beijocas e obrigada :)
Enviar um comentário