quinta-feira, abril 16

E se acontecesse de novo?

Como sabem, nunca senti nada cá dentro que me fizesse querer ser mãe.

Decidi dar esse passo, em parte, por causa da idade, mas também por ver que a família não dura para sempre, a família raiz e comecei a ver a vida a ser um bocado triste sem "algo mais".

O "milagre" aconteceu, como sabem também, contra todas as probabilidades. Eu que tomava a pílula aos anos, a idade, o problema na tiroide que diziam ser quase certo nunca engravidar.

Fiquei imensamente feliz com o meu filho. Mais uma vez, foi o melhor que me aconteceu. Mudei imenso em todos os aspectos. 

Até na parte, em relação à Interrupção da gravidez. Sempre fui a favor, em todos os casos (excepto fazerem disso um método contracetivo, óbvio). Ainda mais agora o sou, pois sei o quanto custa ter um filho. O quanto de nós temos que dar e abdicar e só faz sentido se de facto o fizeram altruisticamente.

Também já aqui referi que não sinto saudades de quem fui. Ou do que tive, porque, sinceramente, antes de o ter, sinto que realmente não tinha nada. Tinha tudo, sem ter nada. E agora sim, sinto-me completa.

No entanto, como referi, a minha opinião em relação à Interrupção da gravidez manteve-se, excepto mais ou menos, para mim própria.

Isto agora sim, vai fazer sentido, com o título do texto 😅 

O meu marido, em modo brincadeira, quando me viu muito mal disposta num destes dias (mas horrivelmente mal disposta mesmo), disse "olha, vem aí a menina".

E sabem o que senti? Nada. Normalmente, quando essa ideia me vinha à mente, antes de ter o meu filho, vinha o medo, o pânico, tudo. Soltava sempre um "Deus me livre!"

Agora, nada.

Como é óbvio, não pretendo que aconteça. Estou a fazer por isso. Não sinto que tenha condições, principalmente monetárias. E o Tomás ainda é muito pequenino, quero continuar a dedicar-me a 100% a ele.

Mas, se acontecesse?

Já olhava para este acontecimento com outros olhos e acho que já não conseguiria interromper nada. Porque tenho um filho, porque quase de certeza que olharia para ele e via o bem que me fez/faz e o tanto que me mudou e o amor todo que trouxe às nossas vidas.

Mais uma vez, aqui vejo o quanto cresci. O quanto mudei. O facto de esta gravidez ter sido uma grandeeeee saída da minha zona de conforto que, saí tanto mas tanto, até o medo do parto já não entra muito na equação.

E não ter sentido medo, mas ter encarado como "olha, se acontecesse, criava-se", meu Deus, senti orgulho em mim. Era mais amor para mim e não sei se queria a menina que sempre pedi, se não queria outro menino doce, um bebé velcro como o Tomás 😛

Mais uma vez, obrigada Deus, pelo crescimento e obrigada por este bebé maravilhosos que mudou a minha vida para milhões de vezes melhor.


 

12 comentários:

J.P. Alexander disse...

Uno siempre cambia y más con un hijo. Te mando un beso.

A Teia Dos 20 Mais x! disse...

Que bonito :)

Gostei muito de ler, e de ver que incluis Deus, e uma ideia já de "ok, criava-se".

Um filho muda mesmo tudo não é? E ainda bem, que te tornaste nessa mãe tão boa, tão centrada e tão atenta que és.

Gosto ainda mais de ti neste papel. :)

Eu sempre falei que queria 3, mas no outro dia parei numa publicação que dizia:
- Não desejas ter mais filhos?
- Não, eu nasci para ser mãe dele, só dele.

E aquilo tocou-me, sinto isso com o meu desde a primeira noite, eu nasci para o ter.

Beijinho Cláudia, e tenho muito orgulho na tua maternidade

Anónimo disse...

Andei nessa "e se..." desde a pandemia (pelo menos) e só me decidi em 2024, com a chegada aos 40. Preferi avançar que arrepender-me de não ter tentado a menina (sempre disse que queria 2 rapazes e depois a menina).
Agora sei que não quero mais filhos (três é mais que bom) mas se acontecesse.... que remédio, tinhamos de trocar de carro novamente .🫣
Dão uma trabalheira, mas é bom. Os rapazes têm pouco mais de 3 anos de diferença e são mto unidos (para o bem e para o mal) e a bebé ri-se imenso com eles.
Vai pensando na ideia, mas ainda tens tempo.
Bjs,
SM

Isa Sá disse...

Que a vida te permita acompanhar o crescimento deles, sempre com saúde, amor e alegria.
Isabel Sá
Brilhos da Moda

Cláudia disse...

Olá @Teia

Muito obrigada pelas tuas palavras :)

Muda mesmo. A mim, principalmente, mudou. Acho que as pessoas têm todas que me conhecer de novo :)

Percebo o que dizes e já pensei nisso mesmo. Nunca pensei em ter um filho, quanto mais ponderar ter o 2º... Mas realmente ele nasceu mesmo para eu ser mãe dele, não podia ser de outra maneira :)

Beijocas e obrigada

Cláudia disse...

Olá @SM

Como disse à Teia, nem nunca pensei ter um, quanto mais ponderar o 2º :)

Eu tenho algum receio da idade, mas claramente, a ter o 2º, o meu filho precisa de ser um pouquinho mais velho. Ainda é muito pequenino. Mas é mesmo uma coisa a ponderar.

Beijocas para vocês e obrigada

Anónimo disse...

Desde que sejas saudável e a tua gravidez tenha sido saudável, não há grande risco adiar um pouco (claro que nada é garantido).
Tive a filhota com 42 anos e, segundo quem me seguia nas consultas, uma gravidez mais saudável que muitas mulheres mais novas.
Bjs,
SM

bea disse...

Os filhos mudam de facto a nossa vida, mas não podem sê-la. Mas são. Tanta vez.

Gil disse...

Felicidades siempre. Un abrazo

Cláudia disse...

Olá @SM

Pois, eu também supostamente sou saudável. Não que seja certo, mas naquelas medições de peso e afins, a minha idade metabólica anda ali nos 35 anos. Como tenho 38.... Acho que é bom sinal.

Com 42 não é mau. O Tomás já terá 4 anos. Ainda é pequenino, mas já é diferente. É mesmo uma coisa a ponderar... até porque financeiramente, está apertado.

Beijocas e obrigada

Inês disse...

Eu não comento muito mas quando descobri o teu blog foi dos poucos que li de uma ponta à outra, portanto sinto que acompanhei as tuas fases todas. Dos nãos redondos quando se falava deste tema, às discussões com o teu marido quando ele começou a falar neste assunto mesmo sabendo desde sempre que para ti era um "não assunto". É giro ver o crescimento. E é muito bom ter maturidade para mudar de ideias. Eu sempre fui de ideias muito fixas e há uns meses cheguei ao meu psicólogo e disse que achava que ia desistir de um sonho que tive desde sempre - adoptar. Sempre disse que queria 3 filhos meus e adoptar um quarto. Fazia parte da minha identidade. Debati essa ideia com o meu marido logo no início da relação porque era algo que eu não iria mesmo abdicar na minha vida. E agora, depois de estar inscrita na segurança social, de ter ido fazer a primeira formação, etc, dei por mim a pensar que se calhar na fase em que estou na minha vida já não faz assim tanto sentido, por variadíssimas razões. E sabes o que ele me disse? Que isso era ouro para ele. Que dizia muito sobre o meu crescimento. Que muitas vezes ficamos agarrados às nossas crenças do passado e isso limita a nossa vida actualmente. No teu caso foi isso que aconteceu, libertaste-te da crença de que não querias filhos e hoje dizes que é o melhor da tua vida. Eu sou das que acredita que a melhor herança que podemos deixar aos nossos filhos são irmãos, por isso acho que toda a gente devia pelo menos ter dois filhos. Mas é só a minha opinião, obviamente. Pensa nisso, muita gente tem medo de saber como vai conseguir amar um segundo filho tendo em conta o que se sente pelo primeiro, mas é mesmo verdade aquela história de que o amor se multiplica. E há poucas coisas melhores nesta vida do que ouvi-los rir à gargalhada ou entrar na sala e vê-los abraçadinhos a ver TV (isto quando não andam à chapada um ao outro!). Ah ah ah

Cláudia disse...

Olá @Inês :)

Obrigada pelas tuas palavras. E acredites ou não, fiquei com lágrimas nos olhos... :)

Realmente eu noto imenso mesmo, esse meu crescimento. E as mudanças quase que radicais, aprender a lidar com elas, assim como muitas vezes falei, daquilo que me faltou na infância e estar a dar ao meu filho, não foi fácil... Mas está a ir e já me parece mais natural.

O meu marido por acaso também falou em adoptar, na altura que eu dizia que não queria filhos e sempre estive de pé atrás. Acho que ainda é um assunto que me faz confusão. Mas claro, admiro quem o faz e acho que fazem bem, porque realmente há tanta criança, infelizmente, abandonada...

Mas percebo isso que o teu psicólogo disse e realmente é de louvar mesmo ver a nossa evolução, seja em que aspecto for.

Realmente também já pensei como ficaria o meu filho, sem a atenção total para ele.... mas acredito que o amor se multiplique, principalmente nós, mais novos, que temos outra atenção e cuidado com a parte emocional. Temos outros conhecimentos.

Beijocas e obrigada :)

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