quinta-feira, maio 7

Faltar com a palavra

Como sabem, a empresa está mal, desde que me lembro.

Mas este ano, começou com muitos despedimentos, lay-offs, etc, etc.

Escapei, para já, disso tudo. E não vejo ainda melhorias, mas sim, ainda é cedo.

Também como sabem, recebo super mal. Mas só irei mudar de trabalho quando a oferta for mesmo boa. Estou em total remoto e isso é impagável. Tenho um bebé e ele é a prioridade.

No meio disto tudo, se vierem entrevistas, faço-as e logo vou vendo como está o mercado.

E isso aconteceu há duas semanas. Ainda nada sei mas onde quero chegar é que, como sempre, pensei na minha empresa. 

O que vai ser deles sem mim?

Sim, podem achar que estou a ser arrogante, mas é a verdade. Se para me substituírem apenas na licença da gravidez foi o que foi e meteram uma miúda sem experiência alguma a ganhar mais que eu, imaginem substituírem-me sempre, para sempre. E a ganhar o que eu ganho! E um trabalho com a qualidade que eu faço.

Mas esta é a verdade, pensei na empresa. O que vai ser deles? Porque raio continuam a não valorizar quem está lá e sabe das coisas, ainda por cima se já viram que não é fácil substituir? Não estou a pedir um ordenado de 5000€! Um aumento! Ficar a ganhar 1400€ brutos, já era bom. Se nos dias que correm é muito? Não. Mas já era melhor que o que recebo!

Adiante.... apesar disto tudo, de eu pensar na empresa....

Quem faltou com a palavra e me mostrou, mais uma vez, que eu sou estúpida, estúpida, estúpida?

A minha empresa, claro!

Pediram um orçamento para um trabalho. 800€. Lembraram-se então aqui da Cláudia, que sabendo fazer esse trabalho, talvez aceitasse fazê-lo por 400€ ou 500€. E por esse valor, sim, motivou a aceitar. Ajudo a empresa e a empresa ajuda-me a mim. São horas extra trabalho, durante a noite e provavelmente no feriado e fim-de-semana. Eu, para não ser os 500€, ia pedir então os 450€ pelo trabalho.

Falei com o marido, claro, pois tem que me ajudar com o pequeno.

Decidi aceitar ajudar a empresa, por este valor.

Assim que disse que eu aceitava, recebi uma chamada a dizer que afinal o valor era 15€ por hora! Sim, é um bom valor mesmo assim, mas se vos disser que nem 300€ vou receber.... quer dizer, não é? 😒 

Combinaram uma coisa, só de palavra, eu aceitei, eles toca de mudarem o acordado.

Fiquei fula. Mais uma vez, é um bom valor? É. Mas não foi o combinado! Ainda chegaram a propor eu receber o valor que recebo por hora normal. Aí sim, iria recusar, sem qualquer peso na consciência.

Juro-vos, eu sou estúpida. 

Apesar de tudo, penso na empresa e mesmo assim, sempre que têm oportunidade de me encavarem, lá o fazem!

Pior, tenho a certeza que a empresa que ia fazer o serviço, falou em 27h. A mim, falaram em 19h. Agora? Querem já tudo feito em 5 dias. Sério, com um bebé, com o trabalho normal, com treinos, com tudo. Não vou colocar o trabalho à frente do meu filho nem das minhas rotinas.  


 

5 comentários:

MELODY JACOB disse...

You are not stupid for caring about your company. People who are committed to their work often develop a sense of responsibility that goes beyond a contract or a paycheck, especially when they know the internal processes, carry experience that cannot be replaced overnight, and genuinely want things to work well. The problem is that many companies quietly rely on that sense of loyalty while failing to value it properly.

What struck me most in your post is not even the amount itself, but the change of agreement after you had already discussed it with your husband and reorganised your personal life around it. That is what creates frustration. When someone accepts extra work, especially with a baby, a full-time job, and limited free time, they are not just selling hours. They are giving away evenings, weekends, rest, and family moments. That has value.

www.melodyjacob.com

Isa Sá disse...

Pena que funcionem assim.
Isabel Sá
Brilhos da Moda

A Teia Dos 20 Mais x! disse...

Sinceramente...
O teu texto, quer dizer, a situação só foi ficando cada vez pior ao longo das linhas...

E a empresa disse que pagava 27h, ou 27h de trabalho e a tua quer em menos possível porque? Para ficarem com o excedente dessas 27h para eles? e tu a fazer o trabalho em 10 p.e? e a só receber isso e eles 17?

Enfim...
Eu consigo compreender a tua disponibilidade para o fazer sim, acho que eu também o faria, afinal é a nossa empresa, etc...
Mas realmente que se aproveitam isso aproveitam...

Beijinho e coragem para situações destas

Mãos de Fada disse...

Entendo o que dizes, mas antes de pensar na empresa, creio que deves pensar em ti, na tua família, na tua saúde mental, no teu futuro...
Eles não querem saber disso. Nós é que temos de o colocar em primeiro e só depois vem o trabalho.

Marisa Reis disse...

Entendo perfeitamente a parte de não mudares, o Tomás é pequeno, podes estar com ele durante o dia, não gastas combustível, parecendo que não isso é melhor do que ganhares os 1400€ mas teres de sair de casa 1 hora mais cedo, estares todo o dia fora, chegares às 19 ou 20 horas e quase nem veres o teu filho e ainda acrescentares 100 ou 200€ de combustível. Ás vezes temos de fazer contas e 1400€ não são o que imaginamos. Eu também gostava de receber esse valor mas infelizmente por aqui continua a existir a descriminação e enquanto as mulheres foram aumentadas 50€ os homens foram aumentados 100€...mas trocava bem o meu ordenado por um onde recebesse esses 50€ a menos mas fosse ao pé de casa.

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